VIVA COM AMOR

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sábado, 30 de janeiro de 2010

Educação-Limites-Família-Escola


Armando Correa de Siqueira Neto
Psicólogo e desenvolve trabalhos e palestras com Psicologia Preventiva e eventos educacionais.

A coisa mais difícil que existe nesta vida é educar um ser humano, pois que demanda a nossa atenção por um tempo, que deixamos de perceber porque até o último momento podemos receber educação.
Alguns fatores apontam as causas da falta de limites na educação das crianças de um modo geral, destacando os valores morais que sumiram do nosso cenário, haja vista o enorme número de casos de corrupção ininterrupta; na política, empresas, igrejas, etc, apresentados na mídia, onde, dificilmente a lei consegue ser cumprida, ademais, instaurou-se na cultura a idéia de que ser esperto é a grande jogada, o contrário; uma tremenda burrice, então, por qual razão seguir regras?
Outro ponto importante vem a ser a ausência dos pais na vida da criança, em virtude da carga horária dedicada ao trabalho, deixando a convivência educacional aos cuidados da escola, desde os primeiros momentos, nas creches e nas instituições educacionais, do governo ou particulares. Esta necessidade familiar gerou um sentimento de culpa nos pais, que, para compensar tais circunstâncias, acabam sendo permissivos em demasia com os seus filhos, impedindo, por conseguinte, momentos de se educar e proporcionar os valores que devem ser seguidos; derivados dos próprios valores existentes nos pais e na constituição da personalidade da criança. Contudo, abre-se nova polêmica neste rastro de educação sem limites, ao lembrarmos que muitos pais com filhos hoje adolescentes e outros adultos vêm de uma geração na qual pregou por muitos anos a idéia de que a liberdade total era a melhor saída, contrapondo à idéia de repressão sócio-histórica vivida por eles em sua juventude, o que acarretou em juízo de valores distorcido, vindo de um radicalismo social para outro, sem fazer “escola” desta forma de se educar. Não houve ponderação e conseqüentemente faltou um plano mediano que fosse sendo ajustado à medida que as demandas surgissem. Simplesmente foi-se estabelecendo este modelo de educação até o momento em que se evidenciaram os desastrosos resultados.
Outra condição a ser pensada é o exagero que os pais têm com relação aos traumas que poderão causar, caso venham a ser mais enérgicos na educação dos seus filhos. Usar o bom senso e algumas regras para estabelecer limites na educação infantil não arranca pedaço de ninguém. Faz-se necessária a consciência de que para educar é preciso esforço, dedicação, perseverança e paciência; muita paciência.
Nas escolas a relação entre o aluno e o professor chegou a uma condição muito favorável, quando entendemos que a participação do aluno está maior, diferentemente de outras épocas onde o papel se restringia apenas a ouvir e guardar as informações que chegavam.
A criança de hoje está mais bem estimulada e responde com maior agilidade ao meio, o que lhe confere a boa posição de ser participante nos grupos sociais; casa e escola especialmente. Todavia, dada a falta de condução por conta da educação sem limites, a criança acaba se tornando um canhão sem direção, que atira para vários lados ao acaso a acerta em quem estiver na trajetória, e a si mesma invariavelmente.
Para ilustrar este contexto da educação sem limites, relatarei uma cena que vi na sala de diretoria de uma escola do governo. De um lado encontrava-se a vice-diretora desta instituição, a qual descrevia o descaso de um aluno com relação aos estudos, seu comportamento rebelde e desrespeitador mediante as regras daquela escola, exaltando o fato de que este menino, de aproximadamente onze anos, já havia “bombado” em ano anterior e que em seu boletim constavam muitas faltas. De outro lado, a mãe, estupefata com aquelas faltas, tentando compreender aquele furacão que se lhe apresentava. Ao lado da mãe que estava sentada, encontrava-se sua filha menor, à frente do referido estudante, e ao lado dele outra irmã, presumivelmente mais velha. O quadro estava formado; o garoto permaneceu imóvel entre as pessoas de sua família e apenas comentou em tom humilde que a direção da escola lhe perseguia há muito tempo e que ele era bonzinho. Apesar da postura de cobrança por parte da diretoria da escola, é quase impossível obter do aluno um comportamento adequado, uma vez que lhe falta o direcionamento educacional, sutilmente revelado pela mãe quando alegou não ter tempo de poder criar o próprio filho, permanecendo ausente em virtude do trabalho.
Tal situação é comum e é clara quanto às dificuldades existentes para todas as partes: do aluno que precisa e não tem a educação fundamental de ser acompanhado em casa por seus responsáveis; dos pais, que não têm tempo e sentem a dificuldade se ampliar conforme o tempo passa, desestimulando cada vez mais, ter que mexer com esta situação, e, para a escola, que acaba arcando com tal responsabilidade, sem ter estrutura para isso. A situação destas várias crianças e de suas famílias é caótica, não existindo meio termo para classificar o que se passa nesta inversão de valores, onde inexiste a educação pautada em acompanhamento e com limites. Muitos pais crêem que o tempo dará jeito na questão, deixando à sorte o futuro de seus filhos.
O exercício do viver só é realizável vivendo, na prática, e o mesmo ocorre com a educação, portando, é preciso arregaçar as mangas e assumir o papel de orientador, de guia, de educador. Começar, antes tarde do que nunca a se envolver neste processo importante e determinador da vida do ser humano, cavando tempo e espaço para esta empreitada. Sempre que desejamos muito alguma coisa damos um jeito no tempo e espaço para alcançá-la. O que nos impede de lutar por esta causa mais do que nobre? Qual medo existe em tentar educar os próprios filhos?
Como em qualquer situação da vida, haverá tropeços, que darão lugar ao adequado proceder conforme a prática e a persistência desta convivência. Os rumos poderão ser diferentes, e certamente o serão. Outros benefícios virão naturalmente, como um maior sentimento de amor próprio, e em muitos casos, a unidade familiar. Mas é preciso começar, tentar, fazendo acontecer. Confie em si mesmo e mude o cenário, assumindo as responsabilidades e transmitindo muitos valores aos seus filhos, por via de uma educação que dá segurança e conforto, pois todos nós sempre desejamos isto.

À Conversa com os Pais-Psicologia Educacional e Psicoterapia




O que uma criança pensa de si própria depende, em grande medida, do que as restantes - que são o seu espelho - pensam dela. Assim, se o reflexo que recebe é negativo, terá uma imagem negativa de si própria. No sentido inverso, se os reflexos que recebe são positivos, a sua autoestima será alta.

É importante ensinar à criança que ela pode fazer algumas coisas bem, e que pode ter problemas com outras coisas. E que esperamos que faça o melhor que puder.
É uma boa ajuda admitirmos os nossos próprios erros ou fracassos. Ela precisa saber que também nós não somos perfeitos: "Sinto muito. Não devia ter gritado. Fiquei o dia todo chateado."
Para ajudá-la a criar bons sentimentos é importante elogiá-la e incentivá-la quando procura fazer alguma coisa, fazendo-a perceber que tem direito de sentir que é "importante", que "pode aprender", que "consegue" e que o adulto a respeita e deseja o melhor para si. O cuidado reside em adequar as tarefas que cabem a cada idade e permitir que ela tente, enfim, solicitar a ajuda da criança, partilhando com ela pequenas tarefas. Pode-se até aplaudir as suas conquistas.
Assim, deve-se procurar estabelecer metas realistas e adequadas à idade da criança. Dar oportunidade de desenvolver-se sem super protegê-la ou sem pressioná-la.
Os monitores podem promover a interação social nas salas e fomentar o questionar e o exame de qualquer problema que seja levantado pela criança. Existe valor intelectual em trabalhar com os interesses intelectuais espontâneos da criança e, para o desenvolvimento moral dela, é igualmente valioso lidar com as questões morais espontâneas.
É possível envolver a criança em discussões de problemas morais. À medida que ela ouve os argumentos de seus colegas pode experimentar um desequilíbrio cognitivo, que pode conduzir à reorganização dos seus conceitos. O conflito cognitivo é necessário para a reestruturação do raciocínio e para o desenvolvimento mental.
Do mesmo modo, é preciso evitar as "típicas" etiquetas e rótulos que se costumam dar às crianças, sobretudo porque são muito difíceis de retirar. Se desde que começa a entender as coisas - muito antes do que se costuma pensar - a criança se identifica com certos apelidos como burro, preguiçoso, etc., irá crescer acreditando que é assim.

LEMBRE-SE QUE...
1 - Mesmo que tenha pouco tempo, quando estiver a ouvir, escute mesmo.
2 - Deixe-as expressar sentimentos, mesmo negativos. Evite o discurso: "Não se chora", "Isso não é nada", "Tem coragem".
3 - Quando apropriado, deixe que elas tomem as próprias decisões.
4 - Trate-as com cortesia. Respeite os seus espaços e limites, diga-lhes se faz favor e obrigado.
5 - Procure encorajá-las e dar afeto, mas de forma justa e coerente. Falsos louvores só levam a uma falsa percepção das capacidades. Valorize mais o esforço que fazem do que o rendimento que obtêm.
6 - Procurar empatia com as crianças. Quanto melhor as entendermos, menos paciência será necessária para lidar com elas, pois estaremos a perceber o seu ponto de vista. Ajude-as a desenvolver a empatia levando-as a partilhar sentimentos, bons e maus. Procure perguntar como se sente e se ela entende como os outros se sentem.
7 - Evite expressões como: "Tu deves, porque eu quero, não há discussão, vai imediatamente, cala-te." Ninguém gosta de ser mandado, independentemente da idade.
8 - Partilhe com ela aquilo que você gosta, valoriza e ama.
9 - Seja entusiasta; positivo e alegre. Ensine-as que é bom exprimir os nossos sentimentos, que não faz mal estar nervoso ou zangado. O que se faz com essas emoções é que convém controlar, para não provocar sofrimento nos outros.
10 - Quando as crianças chegam da escola, e lhes perguntamos como correu o dia, tendem a responder com algum episódio negativo. Experimente perguntar-lhe: "Fala-me das coisas mais giras das aulas."
11 - Fugir do elogio mecânico é fundamental. É sempre bom interessar-se pelos pequenos êxitos e perder alguns minutos a elogiar as primeiras tentativas no "caminho certo".
12 - É necessário vigiar o nosso cansaço, condição muitas vezes favorável para que deixemos escapar alguma crítica menos indicada.
13 - Tentar manter o respeito pela personalidade da criança, e avaliar periodicamente se as expectativas depositadas nela são justas, razoáveis e equilibradas. Será de grande ajuda.
14 - Deve-se evitar o excesso de proteção sobre a criança.
15 - Pode-se pedir a sua opinião em temas diários de pouca importância, como onde ir passear, que atividade realizar, etc. Tal faz a criança sentir-se importante, auto-valorizar-se e respeitar-se a si própria.
16 - Nunca se devem recorrer às comparações para repreender ou fazer a criança ver como se deve comportar. Não é bom para nenhuma das duas crianças, e há sempre alguma que perde com a situação.
17 - Propor-se a meta de elogiar cada dia, ao menos uma coisa bem feita de cada criança, oportunamente e com naturalidade.

A realização deste blogue parte do desejo de alargar o leque de intervenientes das sessões de Aconselhamento Parental e Encontros de Pais dinamizadas pelo Psicólogo Bruno Pereira Gomes.

Ao longo da sua publicação, existirá o cuidado de procurar abordar assuntos que causam dúvidas e ansiedade aos pais e/ou educadores para, além de se realizar um prático apanhado teórico, oferecer sugestões para que possam descobrir soluções para algumas das dificuldades parentais que se lhes deparam no quotidiano.

Os conselhos e abordagens teóricas dadas pelo autor deverão ser sempre utilizados e interpretados no contexto específico e características de cada família e dos membros que a compõem.
Psicólogo Bruno Pereira Gomes
Responsável pelo Gabinete de Psicologia do Instituto Português de Pedagogia Infantil; Licenciado em Psicologia da Educação e Orientação Vocacional; Especialização em Psicoterapia da Criança e do Adolescente.
• INSTITUTO PORTUGUÊS DE PEDAGOGIA INFANTIL - Póvoa de Santo Adrião 219371527
• ESPAÇO VIDA - Avenida Guerra Junqueiro, Nº 11, r/c Esq Lisboa 961213055 - 964960144
• CLÍNICA PRIVADA - Rua Braancamp, Nº8, 3º Esq Lisboa 213422219 / 933265440

sábado, 10 de janeiro de 2009

Could You Be Loved


Composição: Bob Marley
Você Poderia Amar E Ser Amado ?
Você poderia amar E ser amado ?Você poderia amar E ser amado ?
Não deixe eles te fazerem de bobo
Ou mesmo tentar escolarizar você Oh, não !
Você tem a sua própria mente
Então vá para o inferno se o que você está pensando não é certo
O amor nunca nos deixaria sozinhos
Na escuridão deverá aparecer a luz
A estrada da vida é rochosa
E você pode tropeçar também Então enquanto você aponta seu dedo Outro alguém está te julgando
Não deixe mudarem você Ou mesmo rearranjá-lo Oh, não !
Você tem uma vida pra viver
Eles dizem somente, somente,Que somente o mais ajustado dos mais ajustados deve viver,
Permanecer vivo.
Você não vai perder sua água,Até que você fique seco.
Não importa como você o trata,
O homem nunca ficará satisfeito.
Você poderia se amarE ser amado ?
Você poderia se amarE ser amado ?
Diga alguma coisa ...

domingo, 14 de dezembro de 2008

Como são as sagitarianas


Nem sempre ela dirá coisas que você quer ouvir. Na maioria das vezes, ela vai deixá-lo arrepiado com suas observações desconcertantes e francas. Mas de vez em quando dirá coisas tão maravilhosas que vão fazê-lo dançar de felicidade.Ela talvez seja um pouco franca demais porque vê o mundo tal como ele é. As sagitarianas são muito independentes!Quando quiser que ela faça algo, peça-lhe. Não tente mandar nela. Ela não nasceu para ser mandada, odeia ter que receber ordens e abomina tudo que tente aprisioná-la. Ela gosta de ser protegida, mas não gosta de ser mandada.A sagitariana pode mandá-lo para o inferno com um grande sorriso nos lábios e ainda ridicularizá-lo na frente de todos, como se estivesse se divertindo. Ela tem a capacidade de tornar qualquer um em bobo da corte, e ainda sair por cima como se nem tivesse sentido a força de suas ofensas.Como todo sagitariano (homem ou mulher) ela não é de armar o barraco, mas se resolver fazê-lo é melhor se esconder até a tempestade passar.Feliz daquele que tem a sorte de ter uma mulher de sagitário como amiga. Ela alegrará suas festas, será sua melhor confidente e sempre estará ao seu lado quando todos seus amigos tiverem abandonado o barco. Se repararem bem, a maioria das sagitarianas sempre recebe telefonemas de amigos que nunca conseguem esquecê-las, mesmo que estejam distantes.Tentem reparar em uma sagitariana andando. Vejam como a maioria costuma andar com o nariz empinado, parecendo um cavalo puro sangue. Vejam como ela é uma mulher elegante e confiante, mesmo quando tropeça e sai derrubando tudo pelo caminho! Sim, a coisa mais difícil de encontrar é uma sagitariana que não seja um pouco desajeitada.Também costuma ter uma atitude um tanto displicente em relação a envolvimentos amorosos, o que pode levar algumas pessoas a achar que é uma mulher fria e insensível. Puro engano! Ela se emociona ao assistir um filme triste e sonha com você durante as noites em que estiver solitária, mesmo que nunca confesse isto.Quando este romance acaba por dentro ela pode estar chorando, mas responderá com tanta inteligência e habilidade as perguntas dos amigos, que todos pensarão que tudo não passou de um simples namorico de verão. Mal sabem como ela pode estar arrasada por dentro.A idade realmente não importa quando o assunto é a sagitariana. Elas permanecem meninas mesmo quando envelhecem. Nenhuma mulher pode ser tão apaixonada pela vida quanto a sagitariana, e transmitir este amor por todos os cantos por onde passa.Estar ao seu lado é viver o bom humor e acreditar no futuro. Não importa que ela tenha milhões de amigos que ocupam grande parte do seu tempo, nem que passe o tempo todo planejando viagens ou sonhos que ainda quer realizar.Amar uma mulher de sagitário é recompensador e nunca é monótono. Não importa que ela não tenha aprendido a dizer o quanto ama para ela isto é difícil.Nenhuma mulher beija tão gostosa ou erradia tanta vida e alegria quanto um anjinho de sagitário.E, quando as setas do arqueiro penetram em nossos corações, não há magia no mundo que possa nos livrar do poder do amor de uma sagitariana...

sábado, 25 de outubro de 2008

Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.148 p.



“Não há docência sem discência”.
Falando da prática educativa o autor a partir deste primeiro capítulo e por todo o livro, fala sobre a base para ele fundamental da prática do educador em relação com o educando, não uma relação professor/aluno, ele mergulha na profundidade de níveis de compromissos exigidos nesta relação, busca qualificar esse compromisso através da compreensão de uma prática de relações.
O autor trata dessa relação como escolha autônoma do educador/educando, no entanto com responsabilidades distintas. Compreende sua dimensão humana sujeita as pressões do corre-corre do dia a dia que ao passo que explica não pode justificar uma prática descompromissada com a opção feita. E assim segue os outros capítulos.
Paulo Freire nos leva a ver que criticizar-se, é algo que parte da curiosidade ingênua que, está associada ao saber do senso comum, e se constrói na aproximação de forma cada vez mais metodicamente rigorosa do objetivo cognoscível, se tornando curiosidade epistemológica; mais ainda quando esta curiosidade dirige-se para saberes comuns ao cotidiano do educando, que no aprofundamento destes saberes se redescobre frente à realidade que o cerca. Freire afirma que quanto mais se exerce a capacidade de aprender constrói-se mais desenvolvendo o que chama de curiosidade epistemológica, e vantagem do ser humano ter se tornado capazes de ir além, independente da prática utilizada. Faz-se necessária a existência de educadores e educandos criadores, instigadores, curiosos humildes, persistentes transformadores, realizador de sonhos, capaz de ter raiva e também capaz de amar. O Texto mais que orientações, são expressão da paixão do autor pelo processo de diário de aprender e ensinar. Paixão essa expressada em cada linha, por alguém que acredita que não existe educação sem relacionamento; não existe relacionamento sem respeito ao outro; não existe respeito sem confiança e nem confiança sem compromisso. E este compromisso para Paulo Freire não é nada mais que o amor, e com esperança fala que nós podemos ser sempre mais e melhor, é dever daqueles que tem a responsabilidade de ensinar tentar compreender através dos olhos do educando, para que juntos tornem-se mais humanos.
Capitulo 1
Relacionamento é a palavra chave para a compreensão do primeiro capitulo. O relacionamento é fundamental na construção do ato de aprender e ensinar, educador/educando, o qual baseia este relacionamento sobre o compromisso ético de superação e construção de autonomia. O autor ao afirmar que “não existe docência sem discência”; responsabilidade mútua, apontando com essencial cuidado o papel significativo de cada educador; busca alertar para as exigências para a prática do educador. Para o autor, ensinar exige rigorosidade metódica, traduzida aqui pelo processo de aprendizagem. Apontando para a necessidade de criticização da relação e compromisso do educado e do educando. Afirma que ensinar exige pesquisa, e pesquisar aquilo que se ensina, é comprometer-se com a qualificação do conteúdo ensinado e respeito às condições do educando.
Para Freire, colocar no centro do processo de aprendizagem o educando, é colocar ali também os seus saberes; possibilitando a ele perceber-se como peça chave deste relacionamento. O autor fala da importância do pensar certo, algo que demanda profundidade e não superficialidade na compreensão dos fatos. Supõe a disponibilidade à revisão dos achados, reconhece não apenas a possibilidade de mudar, de apreciar, o direito de fazê-lo.
O Autor afirma que ensinar exige o encontro das palavras através do exemplo; risco, aceitação do novo e rejeição a discriminação, sobre uma constante reflexão crítica desta prática com o reconhecimento e a elevação da identidade cultural dos indivíduos. Assim, transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico, é desvalorizar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo; o seu caráter formador. Exige-nos estética e ética; a busca de uma crítica permanente aos desvios fáceis com que somos tentados, às vezes ou quase sempre, a deixar nos levar pelas dificuldades que os caminhos do processo educativo podem nos apresentar.
Capitulo 2
Já no segundo capítulo o autor observa a construção ética deste relacionamento. Volta-se completamente para o ato em si do educador que é possibilitar ao educando condições de construção de conhecimento de forma crítica, como afirma, “ensinar não é transferir conhecimento”. Paulo Freire dimensiona eticamente o papel do educador, reconstrói conceitos e localiza sua ação na perspectiva da opção; ainda que esta opção não corresponda com a mudança. Ser ético é assumir-se e possibilitar ao ser humano condições para também assumir-se diante do mundo. Neste sentido ele volta à questão do pensar certo como uma postura exigente, difícil, às vezes penosa, que temos de assumir dos outros e com os outros, em face ao mundo e dos fatos, evitando assim os simplismos, as facilidades e as incoerências grosseiras. Paulo retoma também a questão do ser humano ou seu inacabamento, afirmando que esta condição é própria da experiência de vida cada um, tudo que é vivo é por natureza inacabada. Para ele todas as mulheres e homens são seres éticos, capazes de intervir no mundo, de comparar, de ajuizar, de decidir, de escolher, capazes de grandes ações e, também capazes de exemplos de indignidade.
O reconhecer-se inacabado, imperfeito e histórico para Freire, é condição para se problematizar-se e problematizar o mundo que nos condiciona, nos possibilitando acreditar que somos capazes de ir além da realidade do mundo que nos cerca. Paulo Freire, como professor para mim consegue enquanto fala levar o aluno para a intimidade do seu pensamento. A aula de vê ser um desafio, perguntar, conhecer e reconhecer-se e melhor, satisfazer-se com tudo aquilo que faz que vê e ouve. Capitulo 3
Paulo Freire trata durante todo o livro do processo educativo como algo por natureza ligada ao ser humano; é neste capítulo que ele busca aprofundar e contextualizar o que isso de fato implica frente a relação entre educador/educando, e como se constrói estas relações de especificidade humana dentro de uma perspectiva de ética e comprometimento.
Afirma que a autoridade é a segurança que se expressamos, na firmeza com que decidimos, respeitando as liberdades, discutindo suas próprias posições e que aceita analisar-se.
Esta autoridade desafia a todo instante a liberdade, no sentido de expandi-la, de provocativamente fazer com que ela, a liberdade, questione o papel da autoridade
Como educador Paulo afirma que tanto lida com sua liberdade quanto com sua autoridade em exercício, mas também com a liberdade dos educandos, a quem deve respeitar, com a sua autonomia, bem como com a construção da autoridade dos educandos.
A autoridade/liberdade para autor está diretamente ligada a como o educador se coloca diante dos educandos, como constrói para eles seus compromissos. Sabe-se que não passa despercebida pelos alunos, e que a maneira como o percebem o ajuda ou não no cumprimento de sua tarefa, aumenta assim seus cuidados com seu desempenho. Sendo sua opção democrática, progressista, não pode ser contrária a liberdade ou autoritária. Quanto mais criticamente a liberdade assume o limite necessário, tanto mais autoridade ela tem, eticamente falando, para falar em seu próprio nome.
Toda esta discussão e fundamental para o autor no sentido que ensinar é próprio do ser humano. E como humano que somos, corremos conseqüentemente o risco de aumento de nossas responsabilidades e compromisso de educador.
Para Paulo Freire, o bom professor, conhecedor de sua autoridade democrática, mostra aos educandos suas opções e compromissos, não as impõe, e ressalta o questionamento como momento essencial para a reflexão e exercício da liberdade do educando. Sua aula é um desafio.
O importante que antes de qualquer discussão de técnicas, materiais, de métodos para uma aula dinâmica, são indispensáveis para que o professor se encontre consciente no saber de que é fundamental a curiosidade do ser humano. É ela que faz perguntar, conhecer, atuar. Reconhecer a humanidade é perceber que humano que somos, podemos construir relações reconhecendo o direito de cada um. A raiz mais profunda na educação do ser humano, é baseada na sua natureza inacabada e consciente
Por fim Freire diz que “se não posso, de um lado, estimular os sonhos impossíveis, não devo negar de outro o direito de sonhar’.
É esta percepção do homem e da mulher como seres programados, mas para aprender, para ensinar, conhecer, intervir, que faz entender a prática educativa como um exercício constante em favor do desenvolvimento da autonomia de educadores e educandos.
Conclusão:
Paulo Freire descreve que alguns educadores que se acham acima do saber, ou melhor, que não tem nele objetivo de troca entre iguais, mas considera apenas informação de repasse mecânico. Esta reflexão me fez entender a profundidade de suas palavras, provocativas e instigantes. Ler o livro com este olhar novo me envolveu me identifiquei ainda mais com processo educativo que ocorre o tempo todo, nas mais diferentes relações sociais, familiares, em atividades recreativas, religiosas, esportivas, etc.. Uma imensa responsabilidade, com os papéis sociais que assumimos, enquanto educando, aluno, professor, cheios de possibilidades e opções. Tentar comentar a paixão do autor foi ainda mais difícil que eu imaginava, e reduzi-lo as poucas páginas em que este trabalho se tornou para minha primeira resenha foi complicado. Freire fala com graça e leveza, usa palavras muitas vezes simples entre termos desconhecidos e com facilidade. Comentar de forma justa seus argumentos e idéias foi o que pretendi.
Ensinar é próprio do ser humano, pois foi o que de fato encontrei no livro, alguém que sabendo o que diz e faz, o faz de forma simples e apaixonada, ao passo que em sua humildade reconhecendo-se como um ser em construção.

Síntese- Pesquisa- Princípio Científico e Educativo



Não deve haver separação entre pesquisa e ensino.
Desmistificar a pesquisa significa também o reconhecimento da sua
inclusão natural na prática, pois quem ensina precisa pesquisar,quem
pesquisa precisa ensinar.
É preciso reinventar a pesquisa na escola através de uma autocrítica sobre seu papel na sociedade, pois se considerar- mos a instituição escolar
apenas por suas aulas,colas e decorebas, ela poderia ser substituída
pela televisão um instrumento de ensinar e aprender muito mais eficiente
do que a escola.
Não há ciência sem pesquisa, sobretudo ão há criatividade científica sem
pesquisa.
Metodologia científica, descobrir e criar não são a mesma coisa, já a pesquisa analítica descobre e nisso cria conhecimentos novos.
Sem ressaltar no momento o lado da pesquisa como princípio educativo,
bastaria trazer à cena a pesquisa como Princípio científico, para demarcar o absurdo que é o mero ensinar e o mero aprender.
O ensino motivado na pesquisa, na medida em que os sujeitos se inserem no processo de produção do conhecimento como atores de uma prática coletiva que supõe compromisso histórico social, não só contribui para a formação desses sujeitos como faz com que continuem aprendendo na realidade diariamente em que se desempenham sua prática.
O que faz da aprendizagem algo criativo é a pesquisa, porque a submete ao teste, a dúvida, ao desafio, desfazendo tendência meramente reprodutiva.
Professor é aquele que ensina baseado em seus conhecimentos adquiridos com pesquisas, e não somente com graduação.
Se a pesquisa é a razão do ensino, o ensino é a razão da pesquisa
Reduzir o ensino à aula é reduzir a aprendizagem ao escutar.
É necessário motivar o aluno a pesquisar, no sentido de fazer o seu próprio questionamento para chegar à elaboração própria. O caminho para a verdadeira aprendizagem é a biblioteca, onde é preciso munir-se de leitura farta, para dominar posturas explicativas, entre elas escolher a
mais aceitável e a partir desta elaborar uma própria.
O segundo passo é iniciar a elaborar, fazendo tentativas aproximadas, até sentir-se seguro de um tema.
O professor assume então o lugar de orientador, pesquisador.Apesar da consciência na educação, é preciso transformar, motivando o surgimento consciente do cidadão.
Refletindo sobre a prática de pesquisas e educação, nota-se que a prática não se restringe à aplicação da teoria.A aplicação da teoria ressalta o lado da qualidade formal, no aprimoramento das condições
instrumentais de exercício profissional.
É indispensável ser um técnico competente,como é indispensável ser um cidadão atuante e organizado, trazendo para o meio dessa cidadania a
instrumentalização cientifica adequada.
Por sua vez, toda prática deve estar relacionada com a formação
acadêmica, contextualizada pela teoria e pela pesquisa/ensino/extensão.
A relação professor/aluno é questão vital na elaboração de um currículo.
O profissional da educação deve ser capaz de construir um projeto próprio, educativo e assistencial, competente cientificamente e participativo politicamente, abrangendo o conceito de pesquisa em seu compromisso de atuar.

Valores na infância - Papel da família e da escola na construção de relacionamentos sociais






Nas últimas décadas tem havido uma inequívoca tensão nos núcleos familiares. Os pais têm cada vez menos tempo para convivência com os filhos, o nível de desemprego se elevou, a instabilidade social cresceu, as taxas e divórcios e separações são cada vez maiores e o aumento da
mobilidade vêm provocando uma sensação de desenraizamento
nas pessoas.
O núcleo familiar no qual as crianças vem sendo criadas é bastante
restrito, limitando-se a seus pais e irmãos. Esse fato faz com que as mesmas conheçam e convivam muito pouco com a família maior, resultando em uma certa indiferença no seu relacionamento com os demais parentes.
É difícil, nas grandes cidades, uma convivência íntima entre tios,
primos e, lamentavelmente, até com os avós (figuras tão importantes
no desenvolvimento das crianças).
Esses fatores somados causam uma diminuição das fontes estáveis, que colaboram para a construção dos relacionamentos sociais, provocando uma ascensão do individualismo. Tudo isso gera um indiscutível incremento no estresse da família nuclear.
Nesse sentido, nossas crianças estão mais dependentes de apoios da comunidade, de instituições que representem lugares adicionais de segurança, amparo e esperança que ofereçam figuras identificatórias confiáveis. Dentre esses lugares comunitários de força e estrutura, estão incluídos os que propiciam a crença em um ser •


Para melhor compreendermos esse aspecto, podemos citar o exemplo de quando a criança se defronta com um desafio importante, e momentaneamente fracassa – ela pode se frustrar de maneira importante. No entanto, se possuir uma crença, acreditar na comunidade familiar e na escola, tenderá a sentir esse fracasso como derrota temporária, e não
como um fracasso vital e duradouro que envolve todo o seu ser.
Na ausência dessa grande comunidade, é freqüente a criança se tornar vulnerável e deixar que uma derrota momentânea se transforme em um tormento permanente.
Não devemos perder de vista que a construção de ambientes que transmitam confiança e a reconstrução da grande família são de vital importância para o desenvolvimento saudável das crianças,favorecendo- as na busca incessante da felicidade, que é uma busca própria do ser humano.
Desnecessário é dizer que a comunidade escolar ganha uma importância cada vez maior como espaço confiável para nossas crianças, não apenas como fonte de aquisição do saber, mas principalmente como lugar para se viver.
Não é incomum que, ao perguntarmos as nossas crianças quem são seus melhores amigos, nos sejam apresentados seus amigos de escola.
A comunidade escolar cada vez mais se aproxima, no imaginário infantil, do espaço ocupado anteriormente pela grande família: é lá que a criança encontra e convive com tias, por exemplo.
Nada nos impede de reatar os laços na grande família original, mas, na medida em que a escola ocupe grande parte desse lugar na mente infantil, devemos estar atentos para que ela possua valores como sabedoria, afetividade, fé e capacidade de acolhimento, que são desejáveis em qualquer boa família e em qualquer comunidade estruturada, saudável e sentida como agradável.